A aparição do Tempo

Time Flows

Death is not an event in life: we do not live to experience death. If we take eternity to mean not infinite temporal duration but timelessness, then eternal life belongs to those who live in the present.
– Ludwig Wittegenstein

McTaggart e a Irrealidade do Tempo

A filosofia do tempo é um tópico extraordinariamente complexo , confuso e fascinante. E apesar de altamente importante, ele desde Kant foi algo que não foi amplamente discutido até que veio McTaggart. John McTaggart Ellis McTaggart, é, sem dúvida, um dos mais importantes assuntos nesse tema, e no seu Opus Magnum: “The Unreality of Time”, argumenta que o tempo, como conhecemos, não pode existir. Defendendo algumas premissas bem simples para defender sua conclusão, McTaggart tomou seu lugar na história da filosofia, e é sobre isso que eu quero deixar expressado aqui hoje.

A Argumentação

Nós temos duas formas principais de pensar com os eventos sobre o tempo. Primeiro, nós podemos pensar neles como estando no passado, no presente ou no futuro, e McTaggart chama isso de Série A. Enquanto eu digito isso, estou ciente que será publicado no futuro. E algumas semanas depois, isso terá sido publicado no passado.

E a outra maneira de pensar sobre os eventos seria em termos de como eles se relacionam uns com os outros. Por exemplo, eu nasci antes do Barack Obama ser eleito presidente. Essa proposição é verdadeira hoje tanto quanto era semana passada, ano passado ou uma década atrás. E ela será verdadeira amanhã, no dia seguinte e em 100 mil anos também. Não importa o que, a relação entre meu nascimento e a eleição do Obama simplismente não vai mudar. McTaggart chama isso de Série B. E como você deve ter notado eventos de série A mudam (do futuro para o presente e para o passado), mas os eventos de série b não mudam nunca (eles simplesmente são ou antes ou depois do outro, não importa o que aconteça).

McTaggart argumenta que o tempo não pode existir em termos de Séries A. Em outras palavras, não existe algo como o passado, presente ou futuro. Nós podemos naturalmente pensar e experienciar o mundo dessa maneira, mas isso não significa que é assim que é naturalmente.  Isso só significa que nossos cérebros alteram como percebemos o mundo para fazer com que o mesmo seja mais fácil de compreender.  Se você não acredita que nosso cérebro faça algo do tipo por nós, procure por “Cutaneous Rabbit Illusion” ou “Orwellian and Stalinesque Revision”. Nosso cérebro literalmente altera como percebemos os eventos do mundo para fazer as coisas mais fáceis de se entender – e a noção de passado, presente e futuro pode ser apenas uma dessas alterações.

Para provar que não existem Séries A, nós temos que primeiro aceitar que nenhum evento singular pode simultaneamente carregar a qualidade de estar no passado, presente ou futuro. Todo evento, quando analisado de um momento especifico, é (relativo ao momento) passado, presente ou futuro. Se não fosse o caso, não existiria nenhuma maneira significativa de distinguir as palavras “passado”, “presente” e “futuro” – todas elas significariam o mesmo. Então, em ordem de existir Séries A os eventos devem estar sempre no passado, no presente ou futuro, mas nunca em mais de um.

O problema agora, seria como determinar se um evento está no passado, no presente ou futuro. Como você determina que etiqueta aplicar? Todo evento, dependendo de quando você olha para ele, está no passado, no presente ou no futuro. Enquanto eu escrevo isso, Obama foi eleito no passado. Mas porque eu deveria preferir usar esse momento no tempo como minha maneira de decidir o rótulo para aplicar a eleição do Obama? Por que não olhara para o ano de 2000 e dizer que que a eleição do Obama foi no futuro ? E bem, depois de tudo, de acordo com a teoria da Série A, o passado é tão real quanto o presente. Por que deveríamos nós arbitrariamente dar preferencia a um momento presente quando decidirmos se um evento esta no passado ou no futuro? E mesmo que você queira defender essa escolha arbitraria, o mesmo problema ainda aparece. Vamos dizer que você acredita que deveríamos usar o presente para determinar se um evento está no passado ou no futuro. Re-leia a última sentença. Nós temos que usar o presente para determinar a relação de um evento com o presente? Para fazer isso, nós temos que assumir a existência do passado, do presente e do futuro. E agora, bem, estamos em um circulo.  Nós precisamos assumir a existência de um momento presente para determinar se um evento está no passado, presente ou futuro. Mas por que fazer essa suposição? Porque ‘sentimos’ como se há um momento presente? Isso não é bom o suficiente – relembre a experiência do “Cutaneous Rabbit”. Não podemos assumir cegamente que a nossa experiência de um momento presente é objetiva e verdadeira. Todo momento parece ser um momento no presente. Nosso cérebro regulamente mente para nós sobre assuntos temporais, e essa sensação de um “agora” pode apenas ser outra dessas mentiras.

Implicações

Pense em sua vida como uma linha do tempo. Se McTaggart está certo, então nossa vida não é um ponto equilibrado (o presente) andando do começo ao fim da linha. Pelo contrário, é toda linha. Toda a coisa é ‘real’ de uma maneira estranha, atemporal. Sua infância é tão real quanto o que você considera o presente, que é tão real quanto sua vida 10 anos a frente. Isso teria implicações muito sérias para como nós decidirmos gastar nosso tempo. Se você está trabalhando num emprego que odeia, mas só continua nisso porque é só “pelo agora” , então McTaggart tem más noticias para você.  Seu sofrimento não é só agora: é para a eternidade. Todos os conselhos que você recebe sobre planejamento do futuro e fazer sacrifícios no presente , são, de fato, terríveis conselhos.

Embora eu não ache que nenhum dos defensores desse argumento recomendaria queimar todo o seu dinheiro e ser feliz, eles provavelmente diriam que você não deve viver de uma maneira miserável para ter potenciais benefícios no futuro.

McTaggart foi um metafisico extremamente idealista, e que, depois de muito tempo, conseguiu trazer belas contribuições para a filosofia do tempo. E suas conclusões me fazem pensar o quão vale a pena se preocupar com o futuro, o que você acha?

Sobre AA

"Não sou tão careta quanto pareço. Nem tão culto. Não acredite em nada do que eu escrever. Acredite em você mesmo e no seu coração."
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Uma resposta para A aparição do Tempo

  1. Fernando disse:

    Ei F, sabendo disso tudo, o que você me diz que existe : o tempo , em alguma forma, ou somente a nossa mente ?

    Abraços, e bom texto!

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